sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fazendeiro francês transforma gás metano em energia.


Enquanto algumas pessoas querem terminar de destruir o nosso planeta, ainda existem pessoas dispostas a ajudar a salvar o que ainda resta. Leia essa reportagem na qual relata o que um fazendeiro ‘criou’ para ajudar o meio ambiente. Ele aproveitou o gás metano que é altamente poluidor ao meio ambiente e transformou em energia, capaz de iluminar 450 casas.

Fazendeiro francês transforma gás metano em energia.
  
As 70 vacas leiteiras da fazenda de Francis Claudepierre, na pequena cidade de Migneville, a cerca de 450 km de Paris, produzem, em média, 2.000 toneladas de cocô por ano. O material poderia ser simplesmente jogado fora, mas o fazendeiro está usando esse lixo para produzir energia elétrica suficiente para iluminar 450 casas e faturar R$ 35 mil (15 mil euros) por mês.

Claudepierre, que não fez faculdade e aprendeu a lidar com a terra na prática, instalou no local um sistema de "metanização", um processo natural que transforma a matéria orgânica (no caso do francês, são os dejetos de animais, cereais que não são próprios para consumo e resíduos de fábricas, como a Nestlé) em metano, um gás de potencial explosivo e que é apontado como um dos vilões do aquecimento global, mas também é uma fonte importante de energia. Ele não gasta nada com o resto do material necessário, já que o recebe de empresas que precisam eliminar os resíduos gerados na fabricação dos produtos.

Como funciona?
R: O "lixo" é colocado em uma espécie de batedeira e misturado. Por meio de canos, o material chega a uma cuba que é revestida por uma manta elástica feita com uma borracha muito parecida com aquela que é usada em câmaras de pneus - para mostrar a elasticidade, Claudepierre até subiu sobre o reservatório e brincou em uma espécie de cama elástica improvisada.
Lá dentro, essa massa passa por um processo de "digestão", feito por bactérias alojadas ali, que quebram as moléculas de matéria orgânica e as transformam em energias para si próprias e também em metano - algo que também acontece no estômago dos animais. O reservatório, chamado digestor, precisa trabalhar a temperaturas entre 37ºC e 40ºC e estar livre de oxigênio, já que as bactérias realizam seu trabalho em condições anaeróbias, ou seja, sem a presença dessa substância.
O gás é, então, usado para alimentar um gerador de energia elétrica, que é usada na própria fazenda e também vendida para a Électricité de France (EDF), empresa que é a maior produtora de eletricidade do país. A companhia paga uma quantia fixa de 15 mil euros por mês pela eletricidade, que sai da propriedade por cabos de alta tensão, mas se dispõe a oferecer mais dinheiro ao fim de cada ano se ficar provado que a produção ultrapassou as metas. 
Esse processo também gera uma boa quantidade de calor, usado no aquecimento de prédios públicos e escolas da cidade de Migneville. Além disso, nos meses entre outubro e abril, quando faz muito frio na região, esse calor é usado para secar as pastagens da fazenda, por meio de máquinas, em um processo parecido com algo que as mulheres conhecem bem: o secador de cabelo.
Apesar do ganho, Claudepierre teve de suar a camisa para instalar o sistema. Além do investimento de R$ 2,1 milhões (900 mil euros), com 40% vindo de financiamentos do governo, a burocracia fez com que ele tivesse de esperar dois anos para receber a autorização para implantar a tecnologia e vender o serviço.
R7 NOTÍCIAS - Felipe Maia – Reportagem Adaptada

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